Histórico

Caboclo, pertence ao município de Afrânio-PE, está localizado na microrregião do sertão do São Francisco, extremo oeste do Estado, próximo a Serra dos Dois Irmãos com 580 metros de altitude, distante 9 Km de Afrânio e 129 Km de Petrolina-PE.

A origem do nome Caboclo está ligada aos índios ‘‘CABOCLOS BRAVOS’’ que lá viviam, cujos resquícios até hoje existem nas muralhas de pedras nas lagoas.

A antiga fazenda CABOCLO, que pertencia aos domínios da Casa da Torre de Garcia D’ávila, passa em 1730 a pertencer ao Capitão Valério Rodrigues Coelho, que a entrega ao seu filho Valério Rodrigues Coelho Filho, casado com Antonia Silva Vieira.

Inácio Rodrigues Coelho, construiu em 1817 a capela em honra ao Bom Jesus do Bonfim.

O pernambucano de Recife, Antônio Luiz de Albuquerque Cavalcanti e Melo, chega a região e casa-se com Miquelina Rodrigues de Santana. Pais de José Francisco de Albuquerque Cavalcanti, ‘‘Pai Chico’’, o 5º Prefeito de Petrolina e avós do 2º, o Major Agostinho Albuquerque Cavalcanti.

Caboclo tem uma grande importância histórica, pois foi um dos primeiros núcleos de povoamento da região. No final de séc. XVII, fazia parte da ‘‘Travessia Velha’’, os tropeiros que vinham das províncias do Piauí e Ceará, em demanda à passagem do Juazeiro/BA. Segundo o historiador Sebastião Galvão, em virtude da lei provincial nº 601, de 13 de maio de 1864, Caboclo foi sede de Comarca.

Com a construção da estrada de ferro – PT (Petrolina – Teresina).em 1926, foi deslocada 9Km de Caboclo, na fazenda Inveja, hoje Afrânio. Daí o povoado parou no tempo, conservando as características originais.

Depois de um longo período sem muita preocupação em preservar e divulgar o lugar, em 1995, a Comissão de Revitalização, iniciou um trabalho de resgate pela preservação e sobrevivência do lugar, dando um forte enfoque turístico.

Caboclo agora conta com uma pousada, destinada a acolher seus visitantes, de forma simples, mas com conforto. O seu acesso por estrada nova asfaltada, a partir de Afrânio ou Dormentes-PE.

Nos finais de semana, feriados longos e na sua festa do padroeiro (23 a 31 de dezembro), o fluxo de descendentes e visitantes é considerável, sem, contudo, quebrar os climas de tranqüilidade, amizade e descontração existentes.

Não por acaso, em 2001, serviu de locação para o filme Memorial de Maria Moura.

Entre os atrativos do lugar estão o casario do século 17, revitalizado, o Cruzeiro, a Igreja do Senhor do Bonfim e a culinária voltada para o doce de leite e a "peta", feitas à base de polvilho de mandioca (tapioca). A tranqüilidade e o comportamento acolhedor da população impressionam o visitante, principalmente os artistas que chegam a trabalho. Bastou uma semana para a atriz Maitê Proença sair encantada. "Todo mundo aqui é carismático, e a paisagem é um cenário vivo", disse a atriz, protagonista do Memorial.

Passear na Caatinga e pisar nos pedregulhos característicos do vilarejo pode trazer surpresas, como as lagoas de águas magnesianas que garantem cura para diversos tipos de doenças. Nos fins de semanas, grupos de turistas realizam encontros à sombra de um frondoso tamarindo secular. A religiosidade é uma das características marcantes do Caboclo, que vive entre a fé católica e as crendices populares. Faz parte da rotina da população as tradicionais rezadeiras, típicas do Sertão.

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